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Em tempos de incertezas decorrentes da, ainda, vigente crise econômica mundial, apesar dos seus efeitos serem pouco percebidos no Brasil, bem como a contemporânea forma de organização do mercado de trabalho, pautado na forte concorrência e estressante cobrança de metas e resultados, nos últimos anos uma nova, e muito bem vinda, alternativa surgiu para aqueles que buscam sua colocação no mercado, ou mesmo mudar de emprego: o concurso público.

Diante da dificuldade em conseguir uma colocação adequada (boa remuneração, chances de crescimento na empresa, qualificação e valorização do funcionário) muitos têm optado por direcionar seus esforços e considerável número de horas do dia – e da noite – na preparação para os vários certames públicos que, constantemente são anunciados. Para muitos, a chance de disputar uma vaga em um concurso é o sonho de uma vida. E para conseguir esse sonho, estas pessoas sacrificam horas de lazer, convívio com familiares, vendem bens para custear viagens e material de estudo, inclusive, saem de seus empregos depois de terem feito reservas financeiras temporárias, a fim de focarem por completo na preparação para essa ou aquela prova.

O concurso público é, ainda, uma ferramenta de ascensão profissional e, porque não, social. Tomemos como exemplo a cidade de Milagres. Não é difícil pensarmos em nomes de pessoas criadas em condições de dificuldade e que hoje gozam de ótima qualidade de vida e estabilidade financeira. Graças ao concurso público, desempenham com proficiência seu mister, ocupando, muitos deles, cargos de grande importância.

 Agora, todo esse sucesso não veio “de graça”. Todos, sem exceção, pagaram o preço pela aprovação. O preço do sacrifício, temporário, do lazer, das festas, dos amigos, da família, das viagens. Os vestibulares, hoje em sua grande maioria substituídos pelo ENEM, dos cursos mais tradicionais e concorridos universidades públicas ganharam um adversário “de peso” no quesito “esforço para aprovação”. Digo mais: hoje as provas mais concorridas, com os candidatos mais preparados, são aquelas dos grandes concursos públicos. Em muitas provas, quase não é permitido errar, por menor que este seja. Como diria o mestre William Douglas, a “dor é passageira, mas o cargo é para sempre”. Todas as histórias, reais, de sucesso na vida são marcadas pelo esforço, pela perseverança, pela resiliência. Seja a pessoas que foi aprovada no concurso de juiz ou àquele que passou para um cargo de nível médio para a Prefeitura de sua cidade, ambos se esforçaram para chegar ao cargo em que ocupam.

Em uma região onde, infelizmente, os empregos remuneram muito mal, o concurso público é, sem dívida, a melhor opção para trabalhar. Ora, tomemos como exemplo, mais uma vez, nossa cidade, situação esta refletida em todos os municípios pequenos do Ceará e do Nordeste: trabalhar de segunda a sábado, manhã e tarde, das 07hs00 até às 17hs00 e ganhar, em média, R$300,00 – R$ 400,00 reais pelo serviço, no comércio, ou, trabalhar num cargo de nível fundamental ou médio, concursado de uma Prefeitura, oito horas por dia, no máximo, somente de segunda a sexta, ganhando, no mínimo, um salário mínimo. Qual dessas opções de emprego você morador de cidade pequena sem opções de maiores salários trabalhando como funcionário iria escolher? E resposta parece óbvia. E vejam que exemplifiquei, com a devida licença e respeito, utilizando o menor e mais simples de todos os concursos públicos que existem. Em muitos outros, os ganhos são astronomicamente maiores. Em concursos de tribunais, por exemplo, o cargo de nível médio paga DEZ VEZES MAIS do que a média salarial no comércio de cidades pequenas.

Sem querer desmerecer aqueles de espírito empreendedor que, corajosamente, se aventuram na livre iniciativa ou na iniciativa privada. A economia precisa de vocês. Agora, muitos têm receio, e falta de habilidade, para suportar os riscos da atividade econômica. Em questão salarial, o céu é o limite para os ganhos na iniciativa privada ou como profissional liberal.

Contudo, a instabilidade do mercado (um mês ganhar bem e outro não ganhar nada, ou muito pouco) assusta as pessoas. O “concurseiro” sacrifica a oportunidade de ganhos salariais bem maiores em troca de algo precioso: estabilidade no cargo. De fato, o emprego obtido por meio do concurso público é, como se diz na sabedoria popular, para “a vida toda”. É claro que existem mecanismos de fiscalização constante do trabalho do servidor. Mas basta que este cumpra os deveres do seu cargo que a pessoa investida não terá dificuldades no emprego até sua aposentadoria compulsória aos 70 anos. Passará a vida em um emprego trabalhando somente aquela quantidade de horas, somente àqueles dias por semana, com direito a bons planos de saúde e outros benefícios.

Hoje muito se fala na qualidade do serviço público, que os servidores são preguiçosos e custam caro ao país e que só reclamam fazendo greves, afinal, todos nós (inclusive você que está lendo esse texto) pagamos o salario desse povo. Sobre a famigerada preguiça do servidor, isso não é bem verdade. Uns muitos poucos parasitas no gigantesco universo do serviço público contribuem para formar essa imagem. Todos os dias, a imensa maioria dos servidores trabalha – e muito – na tentativa de prestar um serviço de qualidade à população, sejam nos fóruns, nas delegacias, os hospitais, nas escolas, enfim, em todas as repartições públicas do país. O serviço público não custa caro, apenas remunera de forma adequada, justa e recompensadora, em que pese algumas barbaridades vistas em determinadas categorias profissionais, o trabalho e o esforço do seu profissional. Quanto às greves, é o instrumento mais eficiente que se valem os servidores para reivindicar melhorias em sua profissão.

Longo e árduo é o “caminho” para aquele que deseja ingressar na carreira pública. O mais importante é não desistir diante das dificuldades. Outra hora trarei dicas e informação que auxiliem na preparação para os concursos públicos.

Texto enviado por Lucas Tavares, através do VC Publica.
Concludente do curso de bacharelado em Direito pela Universidade Regional do Cariri – URCA;
Pós-graduando em Direito Constitucional, também pela URCA.

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